ANO XIX

ANO XVII - Dezenove anos informando sobre o mundo do trabalho

terça-feira, 7 de abril de 2026

NORMA REGULAMENTADORA nº 1 (NR-1) - PRAZO: 26 de maio de 2026

         Com as atualizações mais recentes, a NR-1 passou a exigir a implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), tendo como principal instrumento o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Esse programa consiste na identificação, avaliação e controle dos riscos existentes nas atividades da empresa, abrangendo desde fatores físicos e químicos até aspectos ergonômicos e, mais recentemente, psicossociais, como o estresse e a Síndrome de Burnout.

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) é a base de todas as normas de segurança e saúde no trabalho no Brasil. Ela estabelece as diretrizes gerais que orientam empresas e trabalhadores quanto à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, definindo responsabilidades, procedimentos e a forma como os riscos devem ser gerenciados no ambiente laboral.

A obrigatoriedade do PGR entrou em vigor em 3 de janeiro de 2022, e desde então todas as empresas devem estar adequadas. Em 2026, portanto, não se trata mais de prazo de implementação, mas sim de cumprimento contínuo e fiscalização efetiva, inclusive com integração ao eSocial, o que aumenta o controle por parte dos órgãos competentes.

Em síntese, a NR-1 estabelece que a segurança do trabalho deve ser tratada de forma preventiva, estruturada e permanente, exigindo das empresas não apenas a formalização de documentos, mas a adoção real de medidas que garantam a saúde e a integridade dos trabalhadores.

                ATENÇÃO: Responsabilização maior das empresas - A empresa deve comprovar que: Identificou riscos, Adotou medidas preventivas e Treinou adequadamente os funcionários

Consequências para quem não cumpre: Multas administrativas; Problemas trabalhistas (processos); Aumento de responsabilidade em acidentes; Possível interdição de atividades.

Em 2026 a fiscalização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) está muito mais prática, digital e focada no que realmente funciona. Não basta “ter o documento”: o fiscal quer ver evidência real de gestão de risco.

O que mais está gerando autuações (multas):

1. PGR “de fachada” - Erro comum: Documento genérico, copiado ou desatualizado. O fiscal verifica: Se os riscos descritos existem de verdade; Se o documento corresponde à realidade da empresa.

Como evitar: PGR personalizado, atualizado e coerente com as atividades reais

2. Falta de inventário de riscos adequado - Problemas freqüentes: Riscos não identificados; Avaliação superficial.  O que estão cobrando: Inventário completo; Classificação de risco (baixo, médio, alto); Indicação de quem está exposto.

Dica prática: Se o fiscal “enxerga um risco” que não está no PGR, a multa quase certa.

3. Plano de ação que não sai do papel - Muito comum: Empresa lista os riscos, mas não resolve nada. O fiscal pede: Evidência de execução (não só planejamento) Exemplo: Comprou EPI? Mostrar nota/entrega. Treinou? → mostrar lista de presença.


PARA INFORMAÇÕES SOBRE COMO IMPLANTAR A NR1: RDC CONSULTORIA.
Veja o link abaixo e informe-se:  
www.rdcconsultoria.com.br

terça-feira, 31 de março de 2026

EM BREVE NOVAS POSTAGENS EM VIDEO


 

segunda-feira, 23 de março de 2026

A REAL SITUAÇÃO DO EMPREGO EM 2026

A situação do emprego no Brasil em 2026 é, ao mesmo tempo, melhor nos números oficiais e controversa na interpretação. Vou separar em duas partes: (1) o quadro real dos dados e (2) os pontos mais criticados na forma de medir. 

Os dados mais recentes do IBGE mostram: • Desemprego: cerca de 5,4% no início de 2026 • Menor nível da série histórica (desde 2012) • Desocupados: 5,9 milhões de pessoas • População ocupada: mais de 102 milhões • Renda média: recorde (R$ 3.652) Além disso: • A informalidade ainda é alta: cerca de 37,5% (38,5 milhões de pessoas) • A subutilização da força de trabalho (gente desempregada + subocupada + desalentada) está em 13,8% Onde entram as críticas (critérios questionados): A crítica não é tanto aos dados em si, mas à forma como o desemprego é definido. 


1. Só conta como desempregado quem procura trabalho Pelo critério do IBGE: • Só é considerado desempregado quem procurou emprego recentemente • Quem desistiu de procurar: não entra na taxa Isso exclui os chamados: Desalentados (desistiram de procurar) e Pessoas fora da força de trabalho A Crítica: isso reduz artificialmente a taxa de desemprego. 
2. Trabalho precário conta como “emprego” Se a pessoa: • Trabalhou 1 hora na semana • Fez um bico • Está em atividade informal Já é considerada ocupada Crítica: • Não diferencia emprego estável de “bico” • Ajuda a baixar o desemprego mesmo com baixa qualidade de trabalho
3. Informalidade alta não aparece como problema central Mesmo com desemprego baixo: • 37,5% estão na informalidade Isso inclui: • Sem carteira assinada • Sem direitos trabalhistas • Renda instável Crítica: • O número de desemprego não reflete a qualidade do emprego • Pode haver “emprego ruim” mascarando fragilidade econômica 
4. Subutilização é bem maior que o desemprego Enquanto o desemprego é 5,4%: • A subutilização chega a 13,8% Inclui: • Subempregados (trabalham menos horas do que gostariam) • Pessoas disponíveis, mas não procurando Crítica: • Esse indicador é mais realista, mas menos divulgado
5. Queda da participação na força de trabalho Alguns economistas apontam que: • Menos gente está tentando entrar no mercado • Isso ajuda a manter o desemprego baixo Crítica: • Pode dar a impressão de melhora sem aumento real de oportunidades O que acontece na prática: • Menos gente oficialmente desempregada • Mais gente trabalhando… • porém muitos em condições precárias ou informais 

Quando aplicamos critérios mais rígidos, a percepção do emprego no Brasil muda bastante. 

1. Modelo mais amplo (tipo “desemprego real”) Se somarmos: • Desempregados oficiais (5,4%) • Desalentados (desistiram de procurar) • Subocupados (trabalham menos do que gostariam) Chegamos à taxa de subutilização (13,8%) Esse número já existe no Brasil, mas é menos divulgado. Interpretação: • O problema do trabalho é mais que o dobro do desemprego oficial Comparando: 
2. Modelo dos EUA Nos Estados Unidos, o indicador mais completo é o U-6, que inclui: • Desempregados • Subempregados • Desalentados Se aplicarmos lógica semelhante ao Brasil: O “equivalente brasileiro” ficaria entre 13% e 15% Diferença: • Nos EUA, esse número é amplamente divulgado • No Brasil, o foco fica no indicador mais baixo 
3. Modelo europeu (qualidade do emprego) Na Europa, além do desemprego, se analisa: • Estabilidade do trabalho • Jornada adequada • Proteção social Se aplicarmos esse critério ao Brasil: A situação fica mais crítica por causa da informalidade: • 37,5% informais • Muitos sem renda fixa ou direitos Interpretação: • O problema não é só “ter trabalho” • É ter trabalho digno e estável 

Comparação direta: Indicador O que mede Resultado aproximado Oficial (IBGE) Só quem procura emprego 5,4% Subutilização Problema real mais amplo 13,8% Estilo EUA (U-6) Similar à subutilização 13–15% Estilo Europa Inclui qualidade Situação frágil 

O que isso muda na prática? Com critérios mais rígidos: • O Brasil deixa de parecer “quase pleno emprego” • Passa a ser um país com: o emprego numericamente alto o mas qualidade baixa e desigual 

Quem se beneficia ao destacar o desemprego baixo? 
Governo 
O principal interessado em divulgar o número oficial (5,4%) é o próprio governo. Por quê? • Passa a imagem de economia forte • Indica que políticas públicas “funcionaram” • Melhora aprovação popular Exemplo prático: • “Menor desemprego da história” é uma mensagem simples e poderosa Problema: • Não mostra a qualidade do emprego • Pode esconder precarização 

Mercado financeiro Investidores e empresas
Também tendem a olhar com bons olhos: Motivos: • Indica consumo mais forte • Sugere estabilidade econômica • Reduz risco percebido do país Consequência: • Pode atrair investimentos • Valoriza ativos (bolsa, empresas, etc.) Porém: • Se o emprego for informal o consumo é mais instável do que parece 

Mídia
 A mídia costuma destacar o número principal: Por quê? • É o indicador mais fácil de comunicar • É o padrão internacional Manchete típica: • “Desemprego atinge mínima histórica” Limitação: • Indicadores mais complexos (como subutilização) recebem menos destaque E quem é prejudicado por essa leitura? Trabalhadores Principal impacto está aqui. Mesmo com desemprego baixo: • Muitos estão em: o bicos o informalidade o renda instável Resultado: • Sensação de que “a economia não melhorou”, apesar dos números Isso gera: • Frustração • Desconfiança nos dados oficiais 

Pequenos empreendedores • Dependem de consumo estável • Sofrem quando a renda é irregular Informalidade alta - consumo imprevisível. Impacto real no dia a dia.   

Aqui está o ponto-chave: o número oficial não garante bem-estar. Mesmo com desemprego baixo: 
1. Salário pode não acompanhar custo de vida • Renda média subiu • Mas: o inflação acumulada pesa o custo de moradia e alimentação continua alto 
2. Insegurança financeira • Trabalho informal → renda variável • Sem: o férias o FGTS o estabilidade 3. Subemprego invisível • Pessoas trabalhando menos do que precisam • Ou em atividades abaixo da qualificação Resumo claro O Brasil hoje vive um paradoxo: • Desemprego baixo (oficial) • Subutilização ainda alta • Qualidade do emprego desigual