ANO XIX

ANO XVII - Dezenove anos informando sobre o mundo do trabalho

domingo, 10 de maio de 2015

ENTENDA MELHOR A TERCEIRIZAÇÃO - PL 4330/04

No início do mês de abril publicamos artigo falando sobre a aprovação do PL 4330/04 que regulamenta a atividade terceirizada, até então regulamentada pela Súmula 331 do TST – Tribunal Superior do Trabalho. A discussão vem de uma década e discutida no Congresso há 4 anos.

A regulamentação trouxe muitas polêmicas já que há argumentos importantes tanto para quem é a favor como contra. Antes de esclarecermos os principais pontos do projeto, penso que a terceirização é um avanço nas relações de trabalho, todavia seria mais importante discutir uma modernização ou atualização da CLT. A terceirização me parece um remendo, um “puxadinho” da legislação.

As principais polêmicas do projeto são:

  1. A terceirização pode ser feita para a atividade fim da empresa e não mais apenas para a atividade meio (áreas de apoio como segurança, limpeza, etc.)
  2. A empresa contratante fica subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas da empresa contratada.
  3. O Poder público pode contratar serviços terceirizados (desde que não seja para atividades exclusivas do Estado, como fiscalização, por exemplo.
  4. O sindicato passa a ser o da categoria da empresa terceirizada e não o da empresa contratante.
Cada um desses pontos está regulamento e é também nessas regras que ficam as discussões. No item 1 a empresa contratada só pode fornecer mão de obra focada em uma atividade, ou seja, se ela for especializada em informática, não poderá fornecer mão de obra em limpeza. No item 2 o funcionário da terceirizada que não cumpre as obrigações trabalhistas, só poderá cobrar pagamentos ou indenizações da empresa contratante após a contratada já ter respondido na Justiça ou caso a contratante não tenha realizado as fiscalizações e acompanhamento mensal do pagamento dos encargos trabalhistas. No item 3, a administração pública pode contratar mão de obra terceirizada, sem concurso público e será responsável subsidiariamente pelos encargos previdenciarios mas não pelos trabalhistas. Todavia passa a ser responsável pelos encargos trabalhistas em caso de atraso no repasse à contratada. Essa regulamentação não vale para a administração pública direta, autarquias e fundações. No item 4 a representação sindical e o recolhimento da Contribuição Sindical que passa a ser do sindicato da categoria do terceirizado. Todavia, caso a terceirizada seja da mesma categoria ou atividade econômica da contratante, o trabalhador passa a receber as correções salariais anuais da categoria da contratante.

Para alguns, a terceirização como está no projeto aprovado poderá trazer uma precarização das relações de trabalho e da qualidade dos empregos, o que pode ser verdade caso não haja uma fiscalização eficiente e eficaz tanto na formação das empresas terceirizadas como no acompanhamento pelas contratantes. Vale aqui o argumento que empresas terceirizadas podem não ter “cacife” para atuar no mercado de forma sólida e prejudicar trabalhadores, Tais empresas também poderiam ser de fachada apenas para reduzir riscos trabalhistas da contratante. Do ponto de vista econômico e levando-se em conta apenas o objetivo do projeto, a terceirização trará um aumento no número de postos de trabalho e maior formalização dos trabalhadores. Quanto à contratação pelo poder público sabemos que pode ser um passo importante para a melhoria da qualidade do atendimento, já que o número de funcionários não estaria restrito ao limite de funcionários concursados que muitas vezes mudam de setor, saem de licença e se aposentam, sem que o departamento tenha reposição. Com o atendimento terceirizado isso não aconteceria já que a terceirizada deve manter o número de funcionários ou horas contratadas. O risco aqui é haver ingerência da administração pública para a contratação de “apaniguados” políticos. Outro ponto importante nas discussões é a questão sindical. Com esse projeto alguns sindicatos e sindicalistas podem perder força e parte do poder político mudar de mãos. Com a Contribuição Sindical mudando de direção e a possibilidade de muitos trabalhadores também passarem a pertencer a outros sindicatos, o poder político de muitos sindicatos poderá ser alterado.

O Projeto ainda garante alguns direitos aos trabalhadores:

1.      Empresa contratante não pode colocar terceirizados em atividades distintas das que estão previstas no contrato com a empresa prestadora de serviços.
2.      A empresa contratante deve garantir as condições de segurança e saúde dos trabalhadores terceirizados.
3.      Quando for necessário treinamento específico, a contratante deverá exigir da prestadora de serviços a terceiros certificado de capacitação do trabalhador para a execução do serviço ou fornecer o treinamento adequado antes do início do trabalho.
4.      A contratante pode estender ao trabalhador terceirizado os benefícios oferecidos aos seus empregados, como atendimento médico e ambulatorial e refeições.
5.      Há a possibilidade da chamada “quarteirização”, ou seja, a empresa terceirizada pode subcontratar os serviços de outra empresa. Este mecanismo só poderá ocorrer, porém, em serviços técnicos especializados e se houver previsão no contrato original. A empresa prestadora de serviços que subcontratar outra empresa para a execução do serviço é corresponsável pelas obrigações trabalhistas da subcontratada.
6.      O contrato entre a contratante e a terceirizada deve conter a especificação do serviço e prazo para realização (se houver). A prestadora de serviços (contratada) deve ainda fornececer comprovantes de cumprimento das obrigações trabalhistas para a empresa contratante.

A terceirização passa a ser um avanço trabalhista e econômico, mesmo com as polêmicas. Seguramente trará maior competitividade às empresas com a redução de custos e maior foco nos seus produtos e negócios, além de promover maior segurança jurídica a todos. As empresas terceirizadas passarão a ter mais responsabilidade e deverão competir entre si com mais qualidade, tanto na prestação do serviço como na contratação de seus funcionários.


sábado, 9 de maio de 2015

NOVAS REGRAS PARA O TRABALHADOR DOMÉSTICO

Após alguns anos de discussão e mais dois anos tramitando no Congresso Nacional, foi aprovado nesta semana o projeto que regulamenta os direitos dos empregados domésticos. O projeto determina o recolhimento entre 8% e 11% pelo trabalhador, dependendo da faixa salarial, mais 8% de FGTS recolhido pelo empregador, mais 3,2% para indenização por perda do emprego e 0,8% para acidente de trabalho. O projeto determina ainda o acréscimo de 20% a 50% nas horas extras e 100% para trabalho aos domingos e feriados.

O projeto equipara o trabalhador doméstico a qualquer outro profissional no regime da CLT, deixando de ser um trabalhador de “segunda classe”. Para os empregadores o custo de um profissional doméstico pelo novo projeto passa a ser aproximadamente 50% a mais do que pelas regras atuais, porém dará muito mais segurança trabalhista a ambos.

A partir do início da nova regra, os trabalhadores deverão assinar folha de ponto, com registro de horas extras, por exemplo e ainda não poderão receber menos de 1 salário mínimo (de cada Estado) por uma jornada semanal de 44 horas.


O projeto deverá ser sancionado pela presidente da república e passará a vigorar após 120 dias da sansão.

Quem são os trabalhadores domésticos?

Segundo o M.T.E. - Considera-se trabalhador doméstico aquele maior de 18 anos que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não-lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas. Assim, o traço diferenciador do emprego doméstico é o caráter não-econômico da atividade exercida no âmbito residencial do empregador. Nesses termos, integram a categoria os seguintes trabalhadores: empregado, cozinheiro, governanta, babá, lavadeira, faxineiro, vigia, motorista particular, jardineiro, acompanhante de idosos, dentre outras.O caseiro também é considerado trabalhador doméstico, quando o sítio ou local onde exerce a sua atividade não possui finalidade lucrativa.

Você pode consultar a CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) no site do Ministério do Trabalho do Emprego para obter os códigos e as características de cada atividade.
http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTitulo.jsf

quinta-feira, 7 de maio de 2015

APROVADA NA CÂMARA AS MUDANÇAS NO SEGURO DESEMPREGO

 (foto BetoBarata/Folhapress)
Contradizendo todo o discurso em seu pronunciamento na TV na data de ontem, o partido do governo (PT) conseguiu aprovar por uma margem muito estreita (252 X 227) a Medida Provisória 665 que altera as regras do Seguro Desemprego que dificulta o acesso ao benefício. É lamentável que um governo que se diz defensor dos trabalhadores, retira direitos trabalhistas e sociais da população brasileira mas não toma uma medida sequer para reduzir as despesas do próprio governo.

Essa é apenas a primeira MP votada que retira direitos da população. Ainda restam outros pontos a serem votados como a Pensão por Morte.

Durante a sessão de hoje, antes da votação, a plateia presente pressionava os deputados a votar contra a MP 665 e foi advertida pelo presidente da Câmara que se assim continuassem as galerias seriam esvaziadas. Em determinado momento as pessoas começaram a jogar notas de dinheiro (de mentira - "petrodólares") no plenário e as galerias foram esvaziadas. Muito tumulto também entre os deputados, principalmente entre alguns rebelados da base do governo.






terça-feira, 5 de maio de 2015

TEMPOS DIFÍCEIS PARA O EMPREGO ( ou como se diz na série Games Of Thrones: O Inverno está chegando)

 Há algum tempo, principalmente desde o final de 2013, apresentamos análises conjunturais da economia brasileira, principalmente no desequilíbrio das contas públicas, que “estourariam” em determinado momento e as conseqüências iriam recair sobre os trabalhadores e empregadores. O momento chegou e estamos no início de um processo de estagnação de alguns setores produtivos e desemprego.  Muitos não conseguiram enxergar (ou não quiseram) que os gastos do governo não eram sustentáveis. O novo ministro da Educação acaba de anunciar que as inscrições ao FIES (Fundo de Financiamento da Educação) não tem utilidade já que não há recursos para continuar e assim, milhares de estudantes não poderão continuar seus estudos. O governo ainda tenta emplacar um ajuste fiscal (necessário diante do descontrole), que não corta despesas do governo, mas corta muitos direitos dos trabalhadores e benefícios sociais. Mesmo aqueles que conseguem manter seus empregos têm sua renda dilapidada pela alta inflação. O governo quer ainda utilizar os recursos do FGTS para aportes ao BNDES, talvez para cobrir os “investimentos secretos” em outros países, muitos a fundo perdido, ou seja, sem retorno do capital ou dos juros.

Lembro da época dos governos militares onde aconteceu o “milagre econômico” que promoveu um grande crescimento do país, mas com posteriores conseqüências devastadoras e de difícil controle. Foram anos de inflação altíssima e desemprego. Tal situação só foi controlada com o Plano Real que acabou com a inflação e colocou a economia em rumo sustentável, assim como a Lei de Responsabilidade Fiscal que não permite que governos gastem mais do que arrecadam. Todavia, agora ignorada pelo poder público federal com apoio de parte do Congresso.

Assim, caros leitores, entramos num tempo de vacas magras e devemos nos preparar para esses tempos.
A falta de preparo (não só da capacitação técnica e da qualificação) será determinante para a exclusão de trabalhadores do mercado de trabalho. Nos anos 80 e 90, décadas de grande desemprego, profissionais de nível superior foram obrigados a buscar ocupações de nível médio, os de nível médio ocupações de ensino fundamental, e aos de nível fundamental sobravam as vagas que não exigiam nenhuma qualificação e mesmo o sub-emprego.


Portanto e principalmente nos tempos que vivemos, o preparo é tão importante. Se faz fundamental para a obtenção e manutenção dos empregos o comportamento profissional, o tempo de estudo, a capacitação e a qualificação profissional e até mesmo a experiência.  

sábado, 11 de abril de 2015

REATECH 2015 - de 9 a 12 de abril

De 09 a 12 de abril de 2015, o São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, atual Centro de Exposições Imigrantes, será palco da 14ª edição da Reatech | Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade. O evento, promovido pela Fiera Milano é uma ampla oportunidade de plataformas de negócios e relacionamento entre empresas do segmento e seus consumidores.
Cerca de 500 pessoas por dia nascem ou se tornam uma pessoa com deficiência seja por questões relacionadas a diversas patologias, violência urbana, acidentes de trânsito ou esportes radicais, sendo o mercado PCD no Brasil representado por cerca de 45 milhões de pessoas. Com mais de 7.000 empresas voltadas para o segmento de “Pessoa com Deficiência”, este mercado vem crescendo, desde 2002, acima de dois dígitos, em torno de 15 a 20% ao ano. Em 2013, o setor movimentou cerca de R$4,5 bilhões e cresceu18%, segundo dados da ABRIDEF – Associação Brasileira da Indústria e Revendedores e Serviços para Pessoa com Deficiência.
Com entrada gratuita, em quatro dias de realização a feira espera receber público de 52 mil pessoas, entre visitantes e profissionais da área de saúde e educação, que irão conferir a gama diversificada de produtos e serviços, dos cerca de XX expositores nacionais e internacionais, de países como Itália, Suíça, Polônia, Venezuela, China e Taiwan. Também oferece atividades voltadas para a temática da inclusão social e cultural como palco com shows e desfiles, equoterapia, test-drive de carros adaptados, quadras poliesportiva, seminários, workshops, oficinas com profissionais renomados.
Segundo Luiz Eduardo da Cruz Carvalho, coordenador da REATECH, a feira, desde seu lançamento (2001) mostrou à indústria, ao comércio e todos os  segmentos da sociedade que o PCD é um consumidor de grande potencial, que trabalha, dirige bons automóveis, vai ao shopping, viaja e faz compras.
Para esta edição, a novidade da REATECH será a inclusão dos segmentos de obesos e idosos que tem mobilidade reduzida. Feira de concepção brasileira, a Reatech é também realizada em outros mercados como Índia, China e África do Sul, criando uma plataforma de networking global para o setor.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA - ( PL 4330/04 )

Esta semana está sendo votada no Congresso Nacional a lei que regulamenta a Terceirização de Mão de Obra. Atualmente a norma (súmula 331 do TST) permite somente a terceirização de atividades meio, ou seja, atividades de apoio, como segurança ou limpeza, por exemplo.

Com a regulamentação da lei (PL 4330/04) haverá segurança jurídica para o tema, mas a discussão é polêmica, já que será permitida a contratação para a atividade fim da empresa.

Há pontos favoráveis e desfavoráveis, ambos defensáveis. Em minha opinião a terceirização ajudará no aumento de postos de trabalho, mas poderá trazer uma qualidade menor aos direitos dos trabalhadores terceirizados. Acredito ainda que parte dos protestos contrários vindo dos sindicatos é contaminada pelo possível enfraquecimento de certos sindicatos e não propriamente em defesa de algum direito do trabalhador. Certamente o custo da empresa contratante cairia podendo torná-la mais competitiva tanto no mercado interno como externo e assim os consumidores também seriam beneficiados.

O mais importante desse debate é que há uma possibilidade de modernização das leis trabalhistas e outro paradigma seria implantado nas relações trabalhistas. Hoje, grande parte do que um trabalhador recebe vem em forma de benefícios como um plano de saúde, cestas básicas, etc. Seria melhor se todos esses benefícios viessem em dinheiro e fossem incorporados aos salários e por conseqüência incorporada a eventuais indenizações trabalhistas?

Embora seja uma possibilidade de modernização das relações trabalhistas, a terceirização está longe de ser esse outro paradigma mais moderno e inteligente. O que realmente deveria estar sendo discutido no Congresso Nacional seria uma modernização da CLT, que garanta os direitos dos trabalhadores e estimule os empregadores a contratar. As relações trabalhistas no Brasil ainda é moldada na "luta de classes" quando já deveria estar no patamar de "parceria".

Há muitos pontos a discutir ainda nesse PL 4330/04, que embora já aprovado, ainda serão votados vários pontos e emendas serão apresentadas.

Uma coisa é certa: Não podemos mais viver sob uma norma que não atende mais às necessidades dos trabalhadores e dos empregadores. Do ponto de vista daqueles que representam os trabalhadores, todas as centrais sindicais (com exceção da CUT) apóiam o projeto. Algumas dessas centrais proporão emendas a fim de garantir aos terceirizados todos os direitos.




quarta-feira, 4 de março de 2015

PRODUTIVIDADE: O Brasil só é melhor que a Bolívia na América Latina

O Brasil tem a penúltima posição em PRODUTIVIDADE entre todos os países da América. É um número negativo alarmante. E a coisa só tem piorado ano a ano. De forma simplista, podemos dizer que os principais fatores que colocam o país nessa situação é a falta de estrutura e o baixo preparo dos trabalhadores.


A produtividade de um país é calculado da seguinte forma:


Produto Interno Bruto
_________________________

Número de pessoas empregadas

Mas na verdade são vários os fatores que influenciam no cálculo da Produtividade, como salários, jornada de trabalho, tecnologia, economia, entraves burocráticos e outros. O fundamental para ter um país produtivo é promover o equilíbrio desses fatores.

A baixa produtividade brasileira não tem relação com trabalhadores preguiçosos, por exemplo. Não é a falta de qualidade do trabalho da pessoa que determina a baixa produtividade e sim os fatores mencionados anteriormente.  Há várias formas não sustentáveis para melhorar esse índice, como por exemplo, reduzir os custos de produção por meio de redução de salários ou aumento de jornadas, mas isso causaria um enorme prejuízo em curto prazo. Por isso, formas artificiais não resolvem o problema. O País só pode evoluir resolvendo seus problemas básicos de infraestrutura e educação básica.

Muitas empresas tem dificuldade em contratar, mesmo para funções elementares, pois muitos trabalhadores, por problemas de educação fundamental, tem dificuldade de ler, apresentar raciocínio lógico ao escrever e ainda não conseguem interpretar um texto, entender uma instrução. Assim, como introduzir esse trabalhador em um ambiente mais tecnológico? O baixíssimo investimento em estrutura básica e educação são os principais fatores que colocam o Brasil nessa humilhante posição.

Por: Nelson Miguel Junior

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

2015 COMEÇA COM AUMENTO DO DESEMPREGO

Acaba de sair o resultado da PME do IBGE. Como já havíamos apontado anteriormente, a tendência é de aumento do desemprego. Todos os indicadores econômicos demonstram a estagnação da economia, com crescimento zero e previsão para 2015 com crescimento negativo. A principal conseqüência econômica e social é que a política que o governo federal adotou, é o agravamento do desemprego.

A taxa de pessoas desocupadas aumentou em mais de 22%, um número que surpreendeu não só o governo como os analistas econômicos que não previam uma taxa tão elevada para janeiro.

A metodologia aplicada é a antiga, aquela que só mede as seis principais regiões metropolitanas. Todavia, mostramos em vários artigos anteriores que tal metodologia esconde a verdadeira taxa de desemprego, que é muito maior do que a divulgada (muito próxima ao dobro).


Como muitos afirmaram, o ano de 2015 não será muito auspicioso. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

INCLUSÃO NO MERCADO DE TRABALHO - por Mara Gabrilli - Com exclusividade para o blog O MUNDO DO TRABALHO

No Brasil ainda são poucos os cidadãos com deficiência que fazem parte do mercado de trabalho formal. Para se ter uma ideia, no último Censo do IBGE, quase 20 milhões de brasileiros com deficiência declararam possuir alguma ocupação. No entanto, somente 330 mil estão trabalhando com carteira assinada.

Os números são reflexo de uma barreira que a pessoa com deficiência enfrenta bem antes de buscar um emprego, quando ainda é criança e é barrada de estudar. Hoje apenas 19% das escolas de ensino básico no Brasil contam com acessibilidade e apenas 6% dos professores que atuam na educação básica têm formação continuada específica em educação especial. Quando nos referimos a uma formação superior a realidade é ainda mais desafiadora. Apenas 0,3% das pessoas com deficiência conseguem cursar uma faculdade.

Para tirar esse imenso contingente da informalidade e alavancar políticas educacionais, a Lei Brasileira da Inclusão, projeto do qual sou relatora, propõe a criação do Auxílio Inclusão, um benefício que será concedido à pessoa com deficiência que ingressar no mercado de trabalho.  A ideia é mudar a forma assistencialista com que o Governo trata esse cidadão hoje. Ao invés de ficar em casa, recebendo benefícios de subsistência do Estado, a pessoa com deficiência terá direito a um suporte financeiro para se tornar ativa na sociedade. Com isso, passará de beneficiada para contribuinte, como todo trabalhador.

Na pratica funciona assim: ao ingressar no mercado de trabalho, a pessoa com deficiência deixará de receber o benefício do Governo e passará a ganhar o Auxílio Inclusão, que servirá como um estímulo para que ele se mantenha ativo no mercado e também arque – sem prejuízos - com os custos da sua deficiência, como transporte adaptado, órteses, próteses, tecnologias assistivas...

As vantagens são inúmeras, inclusive para a Previdência do país, que deixará de apenas pagar benefícios integrais para milhões de pessoas e passará a receber a contribuição desses trabalhadores.

Contudo, o dever do empresariado não pode ser apenas com a legislação, tem de ser com a sociedade. Não investir no ser humano é não acreditar no próprio potencial da empresa em atingir diversos públicos e mercados distintos.

Pessoas com deficiência remuneradas por seu trabalho movimentam a economia como qualquer outra parcela da população. Algumas empresas já entenderam isso e estão mudando sua forma de gerir, algumas não só cumprem as cotas para seguir o protocolo, contratam porque entendem que há ganhos são imensuráveis neste processo. Aprender com as diferenças é só um deles.

O trabalho é sem dúvidas uma das principais ferramentas de integração social de qualquer ser humano. Além de garantir poder de consumo, dignidade, bem-estar e uma vida de perspectivas.


Mara Gabrilli, 47 anos, é publicitária, psicóloga, foi secretária da Pessoa com Deficiência da capital paulista e vereadora também por São Paulo. Atualmente é Deputada Federal pelo PSDB/SP

Aos 26 anos, sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. Indignada com a falta de acessibilidade, fundou em 1997 a ONG Projeto Próximo Passo, hoje Instituto Mara Gabrilli, para promover acessibilidade, pesquisas e inclusão social em comunidades carentes e atletas com deficiência. Em Brasília, tornou-se a primeira deputada Federal tetraplégica do Brasil.                                                                                                                        

ACESSE:
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

REAJUSTE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – INSS

Com o reajuste do Salário Mínimo em janeiro deste ano, que passou a R$ 788,00, as contribuições previdenciárias também devem ser reajustadas e pagas já na competência de janeiro (que podem ser pagas até o dia 15 de fevereiro).

Veja a tabela de contribuições (para 1 salário mínimo):

Tipo de Contribuinte
Código
Alíquota
Valor
Individual
1163
11%
R$ 86,68
Individual
1007
20%
R$ 157,60
Facultativo
1473
11%
R$ 86,68
Facultativo
1406
20%
R$ 157,60
Dona de Casa
1929
5%
R$ 39,40

Para aqueles que contribuem com mais de 1 salário mínimo
(contribuição dos empregados, empregados domésticos e contribuintes individuais que prestam serviço como trabalhador avulso em empresas de contratação de mão-de-obra que retém o valor da contribuição previdenciária)

Alíquota
Valor
8%
Até R$ 1.399,12
9%
De R$ 1.399,13 a R$ 2.331,88
11%
De R$ 2.331,89 a R$ 4.663,76



sábado, 24 de janeiro de 2015

EMPREGOS: QUEDA EM 2014. EXPECTATIVA RUIM PARA 2015

Nesta sexta-feira, foram divulgados os números do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. O resultado é muito preocupante. Só em dezembro foram fechados mais de meio milhão de postos de trabalho. A criação de empregos em 2014 caiu em 65% em relação a 2013. A pior marca desde 1999.  

Comércio: Recuo de 40%
Serviços: Recuo de 13%
Indústria: Desemprego de 23%

Outros setores como o de Construção, Mineração e Agropecuária também tiveram demissões, o que não acontecia há alguns anos.

Com a economia paralisada, inflação em alta, aumento de impostos, corte em benefícios sociais e perspectivas de crescimento zero para 2015, fazem com que os investidores transfiram seus capitais para outros lugares e conseqüentemente uma queda nos empregos. O governo abusou dos gastos nos últimos anos, e pior, gastou mal, muito mal. Agora a conta chegou e o trabalhador brasileiro será obrigado a pagar.

Numa análise mais apurada, podemos concluir que a maioria dos postos de trabalho ainda gerados são para áreas do setor de serviços com empregos de baixa qualidade e portanto, vagas mais voláteis, com grande rotatividade de mão de obra. O setor produtivo industrial é o mais afetado, tendo já por tempo prolongado, quedas constantes tanto de produção como geração de empregos, fechando 2014 com desemprego (número de demissões maior que o de contratações).

O ministro da fazenda Joaquim Levy declarou esta semana em Davos, no Forum Econômico Mundial que o PIB do Brasil em 2015 ficará próximo de zero, ou seja, nenhum crescimento. Como já afirmamos em artigos anteriores, sem crescimento da economia não há geração de empregos. Então, nos próximos anos, preparem-se, pois os empregos diminuirão.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

INOVAÇÃO: Empreendedores brasileiros em último lugar

Embora os brasileiros sejam criativos (ao menos temos essa fama), o Brasil é o último colocado em um ranking de Empreendedorismo e Inovação, elaborado pelo Forum Econômico Mundial (Word Economic Forum – WEF). O resultado é fruto da análise combinada dados de outras pesquisas realizadas pelo Forum como Indicador de Competitividade e Monitor Global de Empreendedorismo. A pesquisa alcançou 44 países que tiveram seus dados monitorados por cinco anos.

A pesquisa apontou que apenas 6% dos empreendedores brasileiros investem em inovação, enquanto em Uganda são 12% e na Argentina 29% os que investem em inovação. Os empreendedores que mais investem são os chilenos, quase 55% e os dinamarqueses com 46%.

No quesito Ambição, ou seja, empreendedores que desejam ampliar seus negócios, os brasileiros também estão na rabeira, na 37ª posição. Apenas 4% dos empresários pretendem expandir.

O ponto positivo é que os brasileiros estão empreendendo. Dentre os países pesquisados o Brasil é o 10º em Novas Ações Empreendedoras.

O estudo levantou que parte da baixa performance dos empreendedores brasileiros deve-se à burocracia, à baixa confiança na economia, tamanho do mercado interno e ainda o baixo tempo de escolaridade, incluindo aqui o menor número de empreendedores com nível superior.

Na América do Sul, os destaques foram o Chile e Colômbia que tiveram altos índices positivos em todos os itens avaliados.

As políticas governamentais do Brasil desfavorecem o investimento em inovação, incluindo a pouca preocupação que o governo tem em pólos de desenvolvimento regional, que favoreceriam não só a implementação de novos empreendimentos, mas uma variedade de tipos e tamanhos de empresas, promovendo a competitividade e investimentos em inovação. Lembramos que no atual governo, o Brasil vem caindo no ranking de competitividade do WEF.

O relatório completo será apresentado hoje pelo WEF.


Fontes: site WEF – Word Economic Forum , Veja e FGV


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

(VIDEO) REGRAS BÁSICAS PARA UM BOM CURRÍCULO

Fizemos aqui uma breve apresentação sobre como montar um currículo. Existem várias formas de preparar um currículo, mas colocaremos aqui uma forma simples e eficiente. Assista o video




Para melhor visualização, assista em tela cheia

Cortes nos investimentos poderão chegar aos postos de trabalho em 2015

Um estudo realizado pelo Itau BBA, que avaliou o balanço de 3 mil empresas com faturamento superior a US$ 100 milhões, concluiu que TODAS estão agindo para uma sensível redução de custos. A queda no PIB, o descontrole da economia e o descrédito dos investidores estão levando as empresas a manter sua rentabilidade não por meio do aumento de produção mas sim pela redução de custos. 

Boa parte das empresas pesquisadas já cortou investimentos em produção e paralisou seus projetos de expansão. O pouco investimento que acontece é na direção da diminuição de custos de operação, como transferências de instalações para locais mais baratos, produtos mais rentáveis de suas linhas de produção, equipamentos com mais recursos tecnológicos, etc.


Os cortes só não chegaram maciçamente aos empregos por que  o custo de capacitação e qualificação, do tempo que seria perdido e os custos trabalhistas, ainda são altos. Mas no momento em que as medidas ora adotadas não forem suficientes para que as empresas se mantenham rentáveis, o próximo passo será a redução dos postos de trabalho.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

AS ALTERAÇÕES NOS DIREITOS TRABALHISTAS

Vivemos tempos estranhos. O governo, que é de um partido trabalhista, retirou direitos dos trabalhadores. Eventualmente poderíamos crer que se trata de uma modernização das relações trabalhistas e dos respectivos direitos. Embora as mudanças só valham para aqueles que, a partir de agora, requererem tais direitos, trata-se na verdade de um artifício para diminuir os estragos nas finanças públicas. Não existe preocupação com o trabalhador.

Há ainda, por parte dos trabalhadores, uma grande preocupação com as alterações nas regras, já que para o próximo ano há uma expectativa de queda acentuada na economia e redução dos empregos. É um momento muito complicado para os trabalhadores. Fica claro que mais uma vez a população paga o pato com a retirada de direitos sociais, sem que se veja ações mais urgentes e importantes para que se recupere a confiança no país e acabar com a sangria dos cofres públicos por corrupção e má gestão.

As principais mudanças ocorreram no Seguro Desemprego, Auxílio Doença, Pensão por morte, Abono Salarial e Seguro defeso.

PRINCIPAIS ALTERAÇÕES:

Seguro Desemprego – A carência passa para 18 meses no primeiro requerimento, 12 meses no segundo e 6 meses do terceiro em diante.
Abono Salarial – Passa a ter carência de 6 meses de trabalho ininterrupto. (antes era de 30 dias). O pagamento passa a ser proporcional em um ano de serviço. O calendário de pagamento também será alterado, mas ainda não foi divulgado pelo governo.
Auxílio Doença – Passa a ter um teto equivalente à média das últimas 12 contribuições.
Seguro Defeso (que é o Seguro desemprego do Pescador) – O benefício será de 1 salário mínimo para aquele que exerce exclusivamente a atividade de pescador. Esse trabalhador não poderá acumular benefícios. Se já recebe algum benefício, na época do Defeso, terá de escolher entre o que já recebe e o Seguro Defeso. Além disso, deverá ter carência de 3 anos para requerer o seguro e provar que comercializou seus pescados. O pescador que atua em mais de uma região, onde há sazonalidade na pesca, não poderá requerer 2 Seguros Defesos.
Auxílio por Morte – O falecido precisa ter 24 meses de contribuição, o casamento (ou união estável) deve ter também 24 meses no mínimo, o valor do benefício irá variar com o número de dependentes e o prazo de pagamento irá variar com a idade.

Veio-me a mente um caso ocorrido anos atrás com um conhecido. Era casado há menos de um ano e sua esposa acabara de ter um bebê. Essa pessoa faleceu em um acidente de trânsito. Pela nova regra, a esposa que não trabalhava, não teria direito à pensão por morte, pois era casada há menos de 24 meses. Por ser jovem, também não teria direito à pensão vitalícia. Ou seja, estaria num grande apuro para conseguir sustentar a si e ao seu bebê em um momento tão difícil.

Embora possa parecer que as alterações, e m alguns casos, sejam para corrigir distorções, o objetivo do governo é simplesmente obter uma economia de mais de 18 bilhões ao ano para diminuir o rombo nas finanças públicas. Não podemos esquecer que o governo acaba de cometer um crime de responsabilidade (abonado e perdoado pelo Congresso Nacional) ao ultrapassar a meta fiscal. Portanto, a retirada de direitos do trabalhador é injusta e inoportuna.

Com a palavra os trabalhadores brasileiros.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Feliz Natal e um Ótimo 2015

O Blog O Mundo do Trabalho 
deseja a todos os amigos e leitores 
um Santo Natal e um Ano Novo de conquistas e sonhos se realizando

domingo, 14 de dezembro de 2014

DEZEMBRO É BOM PARA PROCURAR EMPREGO?

Todo ano é a mesma coisa. Chega final de ano, principalmente dezembro, as agências e os postos do sistema público de emprego começam a ficar vazios. Durante o período que atuei no sistema público de São Paulo, todo final de ano a imprensa nos procurava para fazer matérias sobre essa situação. Foram inúmeras entrevistas para emissoras de TV e jornais falando sobre essa questão.

Essa situação é causada principalmente por uma questão cultural, onde as pessoas acreditam que nessa época pré-festas de final de ano, não há vagas de trabalho. Outra “crendice” é que o melhor dia para procurar emprego é a segunda-feira.

A verdade é que nesta época de final de ano, no mês de dezembro, é um ótimo momento para se recolocar. As empresas não param de trabalhar, elas não fecham somente porque é dezembro. No máximo elas param parcialmente nas vésperas de Natal e Ano Novo. As empresas seguem seu ritmo normal e se necessário contratarão.

Assim, a oferta de vagas se mantém praticamente no mesmo patamar, mas a oferta de candidatos diminui bastante e então, o candidato mais atento não perderá essa oportunidade, pois convenhamos, a concorrência fica bem menor. Em algumas unidades de atendimento chegávamos a receber mil pessoas por dia, principalmente na segunda e terça-feira, caindo pela metade na sexta-feira, mas em dezembro a queda no número de atendimentos é acentuada, chegando a não ter ninguém para ser atendido.

Outro mito que comentamos, é o “dia de procurar emprego é a segunda-feira”. Essa cultura é mais fácil de saber como se consolidou. Durante muitos anos o principal meio de divulgação de ofertas de trabalho era o jornal impresso e isso acontecia na edição de domingo. Os principais jornais traziam cadernos imensos aos domingos com as ofertas de vagas e então todos corriam para disputar as vagas divulgadas, causando grande concorrência entre os candidatos. Não bastava ir na segunda-feira, tinha de chegar muito cedo, pois os primeiros a chegar tinham mais chances.


Hoje em dia esse processo mudou muito. Os jornais não são mais o principal meio de divulgação de vagas e nem mesmo os processos seletivos são os mesmos. Empregadores divulgam suas vagas sempre que precisarem, sem que seja necessário esperar o jornal de domingo. Hoje, todo dia é dia de procurar trabalho. As empresas podem escolher melhor os candidatos aplicando processos seletivos onde o contratado não é o que chegou mais cedo, mas sim o que melhor se enquadra naquela vaga. Portanto, se está procurando trabalho, o dia é hoje. Não espere para depois do carnaval.

domingo, 23 de novembro de 2014

"Não foi para isso que fui contratado"

Já observei em diversas ocasiões um funcionário fazer queixas do tipo: “não foi para isso que fui contratado”, “essa tarefa não faz parte da minha função” e outras tantas parecidas. Algumas vezes o funcionário pode ter razão, ou seja, a empresa pode estar abusando do funcionário, fazendo-o realizar tarefas que são de outro cargo (geralmente de remuneração maior) a fim de “economizar” uma nova contratação ou mesmo promover. Pode ainda não haver má-fé do empregador, mas apenas uma situação temporária até a contratação para a outra função for realizada dentro de um limite normal.

Todavia, o funcionário deve estar bem atento e se certificar que se trata realmente de abuso antes de reclamar ou mesmo “resmungar” para os colegas. E porque deve estar atento? Simplesmente por que o funcionário pode estar sendo avaliado para assumir alguma função de maior responsabilidade, uma promoção.  As boas chefias sempre estarão atentas às características e talentos das pessoas que compõe suas equipes e certamente valorizará tais talentos.

Uma forma de testar um funcionário em que se acredita ter alguma característica que possa ser valorizada é atribuindo-lhe outras tarefas além daquelas que sua função exige, seja uma tarefa de maior esforço intelectual, de administração de tempo ou de organização de recursos, por exemplo. O desempenho nessas tarefas extraordinárias poderá ser fundamental para uma melhor posição na empresa.

Uma das empresas na qual trabalhei, adotava a política de que a primeira opção para preencher uma vaga aberta seria buscar dentro do próprio quadro de funcionários e assim, as chefias estavam sempre de olho nos potenciais de cada um para uma futura indicação para uma promoção. Assim, se sabia quem poderia ser indicado para um ou outro cargo quando surgisse a oportunidade.

Portanto, se estiver nessa situação, fique atento, pois pode estar numa posição de confiança da chefia e não de abuso.


domingo, 16 de novembro de 2014

EMPREGOS DIMINUEM EM OUTUBRO

Sazonalmente, os meses de setembro e outubro, são meses de maior contratação para mercado de trabalho, impulsionados pelas festas de final de ano. Mas essa série histórica positiva, apurada desde 1999, foi quebrada. Pela primeira vez desde que se faz essa apuração, o saldo foi negativo. Foram mais de 30 mil vagas fechadas no mês de outubro. Isso reforça nossa preocupação com os rumos da economia e do desenvolvimento do país, já comentada em outros artigos aqui no blog, que fatalmente já está refletindo no mercado de trabalho com o fechamento de vagas.

O Ministério do Trabalho e Emprego tinha uma previsão de saldo positivo de mais de 50 mil vagas, mas a realidade se apresentou de modo totalmente diverso, com saldo negativo de 30 mil vagas como mencionamos acima. Seguindo a “tese” do Planalto, o ministro alegou que tal resultado foi reflexo da “crise externa”. Todavia, acreditamos que a crise é resultado de má condução da economia pelo governo e não de nenhuma crise externa, pois a maioria dos países que estavam em crise, principalmente nossos vizinhos da América do Sul, apresentou crescimento econômico.


Outro ponto que discordamos radicalmente da opinião do ministro é que estamos em uma situação de “pleno emprego”. Nem na melhor fase da criação de empregos pudemos afirmar tecnicamente que estávamos em “pleno emprego”. Tais declarações não se coadunam com a realidade do mercado de trabalho, onde há muita gente desempregada, seja por falta de qualificação, seja por qualificação que não atende a demanda do mercado, seja simplesmente por não haver vagas suficientes.