No debate das alterações da CLT
referentes às escalas de trabalho, surge uma nova proposta, mais moderna e
utilizada em alguns países de primeiro mundo, que é a “PEC das horas Flexíveis”.
Vamos aqui apresentar um panorama e comparativos entre a CLT atual, a mudança
de escala para 5X2 e a de Horas Flexíveis. Sabemos que até este momento a
proposta do fim da escala 6x1 avançou na Câmara dos Deputados, prevendo a
diminuição das 44 horas semanais trabalhadas para 40 horas, duas folgas
semanais, a manutenção dos salários mesmo com a diminuição da jornada, com um
período de transição para a adaptação.
Paralelamente,
surge no Senado Federal a proposta de uma PEC que permite ao trabalhador optar
pelo regime da CLT tradicional ou pelo regime de Horas Flexíveis, baseado em
horas trabalhadas. A principal vantagem seria a maior liberdade para negociar
jornadas, escalas e dias da semana trabalhados.
O
Mercado de Trabalho está mudando radicalmente e isso traria muitas vantagens
para os trabalhadores. Um bom exemplo são os trabalhadores pelos sistemas de
aplicativos como Uber e Ifood, por exemplo, onde a ampla maioria prefere
trabalhar com a flexibilidade de horários, podendo inclusive concentrar mais
horas trabalhadas em determinados dias para folgar em outros. Além disso cada
setor da economia, seja empregado ou patrão, poderia escolher o regime que
melhor se adapta a cada setor. Todavia, os que acreditam na manutenção do
regime da CLT, principalmente os sindicatos, alegam que tal proposta poderia
acontecer em situações de desequilíbrio de força entre as partes, enfraquecer
limites tradicionais de jornada onde empresas poderiam forçar a manter longas
jornadas concentradas.
Ainda não há consenso nem texto
definitivo amplamente divulgado detalhando os liimites diário de horas; regras
de horas extras; descanso mínimo entre jornadas; proteção contra acordos
considerados abusivos. Por isso, o debate ainda está bastante político e muitas
interpretações circulam nas redes sociais antes mesmo de existir um texto final
consolidado. A melhor forma de entender é imaginar três pessoas com a mesma
função: um vendedor de loja, um operador de fábrica e um auxiliar
administrativo, por exemplo. Vamos comparar:
|
MODELO |
DIAS
TRABALHADOS |
HORAS
SEMANAIS |
FOLGAS |
|
CLT atual |
Até 6
dias |
44
horas |
1 dia |
|
PEC aprovada |
5 dias |
40
horas |
2 dias |
|
Horas Trabalhadas |
Variável |
Definido
por contrato/ banco de horas |
Flexível |
EXEMPLOS:
No modelo atual – CLT com jornada de 44 horas semanais:
Comércio - Segunda a sábado: 7h20
por dia , Folga apenas no domingo
Indústria - Segunda a sexta: 8h48, Sábado livre ou Escala 6x1
com um domingo de folga por período.
Escritório - Segunda a sexta: 8h, Sábado: 4h
No modelo da PEC – CLT com jornada de 40 horas semanais:
A proposta aprovada na Câmara reduz a jornada para
40 horas e garante duas folgas semanais, sem redução salarial. Ainda depende do
Senado.
Comércio - Segunda a sexta, 8h por dia, Sábado e domingo
livres ou Trabalho no sábado e Folga na quarta e domingo. (Desde que haja duas
folgas na semana).
Indústria - Segunda a sexta, 8h por dia, A empresa poderia
criar mais turnos para cobrir as horas perdidas.
Escritório - Segunda a sexta, 8h por dia, Fim de semana livre. (Na
prática, muitas empresas de escritório já operam perto desse modelo).
No modelo da sugestão de PEC do Senado por Horas Trabalhadas:
Aqui está a maior diferença. A idéia discutida por
alguns parlamentares e entidades empresariais é focar menos na distribuição
semanal e mais no total de horas contratadas. O trabalhador poderia cumprir as
horas de formas diferentes ao longo do período.
Comércio
- Semana 1:
Trabalha 10 horas por dia durante 4 dias e Folga 3 dias. Semana 2: Trabalha 6 horas por dia
durante 6 dias
Indústria
- Mês de
alta produção: 50 horas por semana, Mês de baixa produção: 30 horas por semana. (A média anual ou
mensal precisaria respeitar os limites legais definidos).
Escritório
- Segunda a
quinta: 10 horas, Sexta livre. Ou trabalhar mais durante uma semana e compensar
depois.
Quais os impactos
principais:
No Comércio - Ganha mais tempo livre com a
jornada de 40h. Empresas podem precisar contratar mais pessoas.
Na Indústria - Impacto moderado. Muitas fábricas
já utilizam turnos e bancos de horas.
Escritórios - Mudança relativamente pequena. Muitos
já operam em 40 horas ou perto disso.
Regime por horas
trabalhadas - Beneficia
quem prefere horários flexíveis; Pode ser interessante para profissionais
qualificados; Gera preocupação para funções de menor poder de negociação, pois
jornadas longas poderiam ser concentradas em determinados períodos.
A discussão certamente tem maior
peso no debate político do que prático. Sindicatos não querem arriscar perder
seu poder caso o trabalhador tenha a opção de negociar diretamente ou escolher
como quer trabalhar. Os trabalhadores de aplicativos ou muitos das áreas
digitais já não querem interferência dos sindicatos. A tendência é cada vez diminuir
sua influência. O mercado de trabalho está mudando e os sindicatos já não têm
mais a importância, influência e força financeira como antes.
Acredito que ainda levará algum
tempo para que as relações do trabalho se modernizem no Brasil. Aliás, o Brasil
precisa de um choque de modernidade e visão de futuro. Somos um país que
regride a cada dia e não só no mercado de trabalho, mas isso é outra conversa.

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