terça-feira, 28 de julho de 2020

CAGED - Os números do emprego formal no primeiro semestre de 2020


CAGED - MTE 2019 | Cadastro de Empregados e Desempregados

O Brasil criou 6.718.276 vagas de emprego no primeiro semestre de 2020, mas perdeu 7.916.639 postos de trabalho. Ou seja, o mercado de trabalho formal perdeu 1.196.363 vagas de emprego de janeiro a junho. Exatamente quando o país começava a retomada da economia a pandemia chegou ao país ceifando vidas e empregos. Estamos falando dos empregos formais, aqueles com carteira assinada, mas a situação é também muito grave no setor informal, onde não há carteira assinada, onde muitos fazem sua renda com bicos, algum tipo de venda de produtos ou prestação de serviços autônomos. Grande parte do mercado informal era ocupado por pessoas desempregadas que desempenhavam alguma atividade informal temporária durante o período de desemprego como forma de obter renda e o sustento de suas famílias. Mas a situação atingiu em cheio essa parcela do mercado de trabalho.

Um alento é que no mês de junho o desemprego desacelerou sensivelmente.  Enquanto nos meses anteriores o desaparecimento de vagas foi gritante (março= -259.217; abril= -918.286 e maio= -350.303), em junho foi de “apenas” -10.984.

Os setores de Construção e Agronegócio foram os que apresentaram saldo positivo no número de empregos. Foram mais de 17 mil vagas na Construção e quase 37 mil no Agronegócio.  


Vamos aguardar o resultado da PNAD-C do IBGE que mostra um espectro mais amplo do mercado de trabalho, incluindo também o trabalho informal, para termos uma idéia se a desaceleração do desemprego em junho é ou não uma tendência positiva para a economia e o mercado de trabalho.   

quinta-feira, 23 de julho de 2020

TRABALHO E EMPREGO NESSES TEMPOS DE PANDEMIA

É muito difícil falar qualquer coisa concreta sobre trabalho e emprego nesses tempos de pandemia. Se na área da saúde está difícil planejar não podemos esperar algo diferente na Economia e conseqüentemente no mundo do trabalho e nos empregos. É difícil ainda decidir se preservamos as vidas, a saúde ou a Economia, pois para parte da população a doença é fatal e mesmo que estatisticamente as mortes possam ser “absorvidas” como dano colateral numa eventual busca pela normalidade econômica, não sabemos quais vidas serão ceifadas. Não há solução fácil. Não há panacéia que salve uma vida.

Com a paralisação da economia no mundo, que não é culpa de nenhum governo e sim de um vírus potencialmente letal, grande parte dos empregos se foi. Nem mesmo os empregos informais e as atividades informais escaparam. Aliás, os empregos informais foram muito mais afetados do que os formais com o fechamento ou suspensão das atividades de muitas empresas.

Tenho visto muitos profissionais de RH, por exemplo, debaterem sobre o mercado de trabalho, como fazer nesses novos tempos e as formas de trabalho como o aumento de atividades em “home Office”. Todavia, quem pode realizar seu trabalho remotamente, fazem parte de uma pequena parcela de trabalhadores. A maioria não pode.

Tudo que está se fazendo no mercado de trabalho é tentar equacionar a situação para amenizar um grande dano. Mas como sabemos, economia paralisada é igual a baixo nível de emprego e não sabemos quando isso irá terminar. Só a vacina pode modificar a atual situação. Não adianta brigar para que voltemos a uma vida normal, que todos os setores da economia voltem ao normal, pois isso não resolverá o problema. Não vou aqui tomar qualquer posição sobre reabrir ou não as empresas, etc., pois como disse, não há solução fácil. As pessoas estão entre pagar as contas e mesmo matar a fome ou arriscar a vida e de sua família, desafiando a doença.


De todo modo, a luta não pode parar e as pessoas têm de sobreviver. Cada um sabe “onde seu calo dói”. Que se tomem todas as medidas de segurança para suas vidas. Aproveitem parte de seu tempo para aprender mais, para entender mais e com sorte teremos em breve uma vacina que possa por fim a essa situação. 

domingo, 7 de junho de 2020

EUA SURPREENDEM E DESEMPREGO CAI

Em virtude da pandemia, o desemprego em todo o mundo é uma realidade e um fantasma assustador. O desemprego nos EUA estava alto, com índices próximos aos do Brasil, mas surpreendentemente o desemprego recuou em maio e criou 2,5 milhões de novos postos de trabalho, quando a previsão das agências econômicas era de que o desemprego chegasse próximo a 21%.  A taxa era de 14,7% em abril e recuou para 13,3%.

A pergunta que você deve estar se fazendo é “o que o desemprego brasileiro tem a ver com o desemprego nos EUA?”. Também fiz essa pergunta antes de escrever aqui.

O grande dilema de todos é como entender essa situação e agir. Isolamento, lockdown, flexibilização, “libera geral”? Em primeiro lugar devemos ter em mente que os dois problemas caminham juntos (saúde e economia) e que ninguém tem a resposta para tal dilema. Portanto, nosso caminho para a questão é impírica, tentativa e erro.

Lá, os setores responsáveis pelo crescimento dos empregos, foram os de Lazer & Hospitalidade, Alimentação & Bebidas, Comércio Varejista, Indústria, Serviços Profissionais, etc. Outros setores criaram vagas ou pararam de demitir.


A relação com o Brasil é que esse acontecimento no mercado de trabalho nos EUA pode trazer esperança ao nosso mercado de trabalho. Sabemos, por exemplo, que o setor supermercadista contratou muita gente, na contramão de outros setores. Muitos negócios estão se reinventando e que podemos ter outra realidade no mercado de trabalho pós pandemia. Infelizmente, tudo ainda é uma incógnita por aqui. Não temos uma diretriz clara, não caminhamos com o olhar na frente e sim apenas reagindo aos fatos, sempre na rabeira. 

quinta-feira, 30 de abril de 2020

DESEMPREGO PRÉ- PANDEMIA


Acaba de ser divulgada a PNADc – (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) - do primeiro trimestre de 2020 que mediu a taxa de desemprego no Brasil. Para efeito de estudo posterior, considera-se que esse resultado não teve a influência da pandemia  (COVID-19)

O desemprego teve um leve aumento (1,2%) em relação ao trimestre anterior que estava em 10,9%  e passou para 12,2% , o que equivale a 12,9 milhões de desempregados. A pesquisa apontou ainda que a informalidade diminuiu (1%). Podemos considerar que essa queda no nível de emprego foi normal e pequena, já que é um período onde há crescimento de demissões em virtude do maior número de contratações temporárias (ou não) de final de ano. É um período sazonal onde ocorre um “ajuste” das contratações excedentes de final de ano. Essa situação só desaparece quando a economia está muito aquecida e o número de empregos se mantém em alta. No caso do Brasil, a economia vinha sendo retomada de maneira lenta e estável, mas não aquecida o suficiente para manter as contratações de final de ano.

Já a comparação do resultado com o mesmo período do ano anterior, houve uma diminuição do numero de desempregados em 0,5%. Lembramos que em pesquisas desse tipo deve haver a comparação com o mesmo período do ano anterior, para que haja os mesmos parâmetros sazonais.

Essa pesquisa mostrou que o nível de emprego estava estável e com melhora na economia, mas e agora com a pandemia? O mundo foi atingido em cheio e está desarticulando a economia de dezenas de países. Como sabemos a maioria dos empregos é gerada por pequenas e médias empresas que não possuem “fôlego” para agüentar muito tempo sem funcionar e faturar. Muitas dessas empresas foram obrigadas a demitir e mesmo fechar logo nas primeiras semanas. E claro, isso já reflete um aumento considerável no desemprego e provavelmente a próxima pesquisa mostrará números assustadores. Mesmo o mercado informal não se mantém. A dificuldade de geração de renda já é enorme para muitos brasileiros e a ajuda governamental está longe de amenizar o impacto nas famílias.


Quando tudo isso passar, ainda teremos um longo e duro caminho a percorrer. Infelizmente.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Nota do autor do blog:

Nota: Por motivos pessoais, de força maior, o blog O MUNDO DO TRABALHO não publicou nenhum novo artigo em 2020. O blog está ativo e publicando initerruptamente desde 2007, portanto há 13 anos no ar. A partir de agora, o blog retomará normalmente a atividade, abordando temas do mundo do Trabalho. E teremos muito trabalho, pois a atual situação com a pandemia, alterou todos os paradigmas, seja da Saúde, das relações humanas, da Economia e por consequência, dos empregos, dos empregadores, etc.
Um grande abraço a todos os amigos e leitores que nos acompanham.