ANO XIV

ANO XIV - Catorze anos informando sobre o mundo do trabalho

sexta-feira, 28 de junho de 2013

DESEMPREGO e as METODOLOGIAS DE PESQUISA ( IBGE, DIEESE, SEADE )

Muito se discutiu sobre as metodologias adotadas para medir o desemprego no Brasil (inclusive neste blog). As principais medições são realizadas pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pelo DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e ainda a Fundação SEADE – Sistema Estadual de Análise de Dados, porém as metodologias utilizadas são diferentes (IBGE X DIEESE\SEADE) e conseqüentemente resultados diferentes em suas análises. Quando comparados os resultados, os números do desemprego, por exemplo, apresentados pelo IBGE representam a metade dos números das outras entidades. Hoje, em tempos menos bicudos quanto ao tema desemprego, isso aparece pouco nas discussões, mas já provocou muito barulho e acusações que a metodologia do IBGE (pertencente ao governo federal) mascara os reais índices de desemprego.
Grosso modo, a metodologia do IBGE considera como critério apenas o Desemprego Aberto, ou seja, pessoas que naquele período medido estavam a procura de emprego e disponíveis são consideradas desempregadas. Considera ainda que uma pessoa que exerceu naquele período, qualquer atividade remunerada, mesmo que por algumas horas, não é um desempregado, inclusive qualquer tipo de “bico”, incluindo os “profissionais” dos cruzamentos (vendedor de balas, limpador de pára-brisas, cuspidor de fogo, etc.). Já as metodologias do DIEESE e SEADE consideram o Desemprego Total, ou seja, está incluído na metodologia o Desemprego Oculto (Trabalho Precário e pessoas em Situação de Desalento).
No final do texto colocarei uma nota sobre o significado de cada termo.
Ambas as metodologias pesquisam nas seis principais Regiões Metropolitanas e baseiam-se na PEA – População Economicamente Ativa. Vale aqui um comentário: se a pesquisa fosse realizada em outras regiões fora das RMs e a base fosse a PIA – População em Idade Ativa, os resultados seriam ainda mais relevantes e mais próximos da real situação, já que algumas regiões menos desenvolvidas são muito mais sensíveis ao desemprego e a PIA ampliaria enormemente a base da amostra.

Conceitos:
Desemprego Aberto: Pessoas que procuraram emprego no último período de 30 dias e não exerceram atividade remunerada de nenhum tipo nos últimos sete dias.
Desemprego Oculto: 1. Por trabalho precário – pessoa que exerceu algum tipo de atividade informal, de forma não contínua e irregular, mas que no período de 12 meses anteriores buscaram trabalho. 2. Por desalento – pessoas que deixaram de buscar trabalho nos últimos 30 dias, mas que procuraram nos últimos 12 meses, e que desistiram da busca, por desestímulo ou outro motivo fortuito.
PIA – População em Idade Ativa – é a população acima de 10 anos, aptas a exercer alguma atividade  econômica.
PEA – População Economicamente Ativa – é a população ( parcela da PIA) que está ocupada ou desocupada.

Para saber detalhes de cada metodologia e conhecer mais sobre o tema, o leitor pode acessar os sites das três entidades citadas:
Por Nelson Miguel Junior

domingo, 23 de junho de 2013

O Mercado de Trabalho está bem?



Vivemos um momento bem complicado e muita gente ainda não se deu conta disso. As pessoas desavisadas ou que não estão atentas aos sinais, demoram a perceber os rumos e conseqüências da situação econômica. A criação de empregos vem patinando há vários meses e a inflação corroendo os salários, mas há demora nessa percepção.   
                                                                      
Duas notícias nesta semana acenderam o sinal de alerta: Queda acentuada na criação de novos empregos (48,4% em relação ao mesmo período de 2012 e 63% em relação ao mês de abril de 2013) e Inflação alta ultrapassando as metas estabelecidas pelo governo. 

                                                                
Algo que também me preocupa é o resultado da pesquisa do Datafolha que mostra que o brasileiro não tem medo de perder o emprego. Essa situação mascara a realidade, pois como (ainda?) não há desemprego e a maioria está empregada e estabilizada, não percebe os riscos do desemprego, já que hoje, mesmo se o trabalhador for demitido, logo conseguirá a recolocação. E quando isso não for mais tão fácil assim? Outra situação demonstrada é que apenas 8% dos trabalhadores tiveram seus salários reajustados acima da inflação, com ganhos reais de salários. A maioria teve perdas salariais em menor ou maior grau. Com essa “estabilidade” que hoje começa a ficar precária, pode ser uma grande armadilha para o trabalhador, que foi incentivado a gastar e comprar mais, desde que a prestação coubesse em seu salário.     
                                                                                                                  
O País está com parte da população indo às ruas, pedindo por seus direitos, reclamando das péssimas condições dos serviços públicos, apesar dos altos impostos pagos e outras pautas como corrupção. Emprego ainda não entrou nessa pauta de reivindicações exatamente porque os trabalhadores brasileiros ainda não sentiram os reflexos que estão atingindo seus salários e seus empregos. Mas se os rumos da economia continuarem como estão, isso também chegará às ruas.

Por Nelson Miguel Junior