ANO XIX

ANO XVII - Dezenove anos informando sobre o mundo do trabalho

segunda-feira, 23 de março de 2026

A REAL SITUAÇÃO DO EMPREGO EM 2026

A situação do emprego no Brasil em 2026 é, ao mesmo tempo, melhor nos números oficiais e controversa na interpretação. Vou separar em duas partes: (1) o quadro real dos dados e (2) os pontos mais criticados na forma de medir. 

Os dados mais recentes do IBGE mostram: • Desemprego: cerca de 5,4% no início de 2026 • Menor nível da série histórica (desde 2012) • Desocupados: 5,9 milhões de pessoas • População ocupada: mais de 102 milhões • Renda média: recorde (R$ 3.652) Além disso: • A informalidade ainda é alta: cerca de 37,5% (38,5 milhões de pessoas) • A subutilização da força de trabalho (gente desempregada + subocupada + desalentada) está em 13,8% Onde entram as críticas (critérios questionados): A crítica não é tanto aos dados em si, mas à forma como o desemprego é definido. 


1. Só conta como desempregado quem procura trabalho Pelo critério do IBGE: • Só é considerado desempregado quem procurou emprego recentemente • Quem desistiu de procurar: não entra na taxa Isso exclui os chamados: Desalentados (desistiram de procurar) e Pessoas fora da força de trabalho A Crítica: isso reduz artificialmente a taxa de desemprego. 
2. Trabalho precário conta como “emprego” Se a pessoa: • Trabalhou 1 hora na semana • Fez um bico • Está em atividade informal Já é considerada ocupada Crítica: • Não diferencia emprego estável de “bico” • Ajuda a baixar o desemprego mesmo com baixa qualidade de trabalho
3. Informalidade alta não aparece como problema central Mesmo com desemprego baixo: • 37,5% estão na informalidade Isso inclui: • Sem carteira assinada • Sem direitos trabalhistas • Renda instável Crítica: • O número de desemprego não reflete a qualidade do emprego • Pode haver “emprego ruim” mascarando fragilidade econômica 
4. Subutilização é bem maior que o desemprego Enquanto o desemprego é 5,4%: • A subutilização chega a 13,8% Inclui: • Subempregados (trabalham menos horas do que gostariam) • Pessoas disponíveis, mas não procurando Crítica: • Esse indicador é mais realista, mas menos divulgado
5. Queda da participação na força de trabalho Alguns economistas apontam que: • Menos gente está tentando entrar no mercado • Isso ajuda a manter o desemprego baixo Crítica: • Pode dar a impressão de melhora sem aumento real de oportunidades O que acontece na prática: • Menos gente oficialmente desempregada • Mais gente trabalhando… • porém muitos em condições precárias ou informais 

Quando aplicamos critérios mais rígidos, a percepção do emprego no Brasil muda bastante. 

1. Modelo mais amplo (tipo “desemprego real”) Se somarmos: • Desempregados oficiais (5,4%) • Desalentados (desistiram de procurar) • Subocupados (trabalham menos do que gostariam) Chegamos à taxa de subutilização (13,8%) Esse número já existe no Brasil, mas é menos divulgado. Interpretação: • O problema do trabalho é mais que o dobro do desemprego oficial Comparando: 
2. Modelo dos EUA Nos Estados Unidos, o indicador mais completo é o U-6, que inclui: • Desempregados • Subempregados • Desalentados Se aplicarmos lógica semelhante ao Brasil: O “equivalente brasileiro” ficaria entre 13% e 15% Diferença: • Nos EUA, esse número é amplamente divulgado • No Brasil, o foco fica no indicador mais baixo 
3. Modelo europeu (qualidade do emprego) Na Europa, além do desemprego, se analisa: • Estabilidade do trabalho • Jornada adequada • Proteção social Se aplicarmos esse critério ao Brasil: A situação fica mais crítica por causa da informalidade: • 37,5% informais • Muitos sem renda fixa ou direitos Interpretação: • O problema não é só “ter trabalho” • É ter trabalho digno e estável 

Comparação direta: Indicador O que mede Resultado aproximado Oficial (IBGE) Só quem procura emprego 5,4% Subutilização Problema real mais amplo 13,8% Estilo EUA (U-6) Similar à subutilização 13–15% Estilo Europa Inclui qualidade Situação frágil 

O que isso muda na prática? Com critérios mais rígidos: • O Brasil deixa de parecer “quase pleno emprego” • Passa a ser um país com: o emprego numericamente alto o mas qualidade baixa e desigual 

Quem se beneficia ao destacar o desemprego baixo? 
Governo 
O principal interessado em divulgar o número oficial (5,4%) é o próprio governo. Por quê? • Passa a imagem de economia forte • Indica que políticas públicas “funcionaram” • Melhora aprovação popular Exemplo prático: • “Menor desemprego da história” é uma mensagem simples e poderosa Problema: • Não mostra a qualidade do emprego • Pode esconder precarização 

Mercado financeiro Investidores e empresas
Também tendem a olhar com bons olhos: Motivos: • Indica consumo mais forte • Sugere estabilidade econômica • Reduz risco percebido do país Consequência: • Pode atrair investimentos • Valoriza ativos (bolsa, empresas, etc.) Porém: • Se o emprego for informal o consumo é mais instável do que parece 

Mídia
 A mídia costuma destacar o número principal: Por quê? • É o indicador mais fácil de comunicar • É o padrão internacional Manchete típica: • “Desemprego atinge mínima histórica” Limitação: • Indicadores mais complexos (como subutilização) recebem menos destaque E quem é prejudicado por essa leitura? Trabalhadores Principal impacto está aqui. Mesmo com desemprego baixo: • Muitos estão em: o bicos o informalidade o renda instável Resultado: • Sensação de que “a economia não melhorou”, apesar dos números Isso gera: • Frustração • Desconfiança nos dados oficiais 

Pequenos empreendedores • Dependem de consumo estável • Sofrem quando a renda é irregular Informalidade alta - consumo imprevisível. Impacto real no dia a dia.   

Aqui está o ponto-chave: o número oficial não garante bem-estar. Mesmo com desemprego baixo: 
1. Salário pode não acompanhar custo de vida • Renda média subiu • Mas: o inflação acumulada pesa o custo de moradia e alimentação continua alto 
2. Insegurança financeira • Trabalho informal → renda variável • Sem: o férias o FGTS o estabilidade 3. Subemprego invisível • Pessoas trabalhando menos do que precisam • Ou em atividades abaixo da qualificação Resumo claro O Brasil hoje vive um paradoxo: • Desemprego baixo (oficial) • Subutilização ainda alta • Qualidade do emprego desigual

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

A REAL SITUAÇÃO DO EMPREGO NO BRASIL DE 2025

Há mais de dez anos já escrevi aqui no blog sobre a taxa de desemprego e as metodologias do IBGE. A atual metodologia mascara a atual situação. Vamos lembrar que o IBGE desconsidera as pessoas que desistiram de procurar emprego, que estão vivendo de bicos ou que ainda estãono Seguro Desemprego. Ou seja, Não são consideradas DESEMPREGADAS as pessoas incluidas no Bolsa-Familia, os desalentados, os beneficiários de outros beneficios e auxílios, os informais, os subempregos, os que fazem bico e ainda os jovens que não estudam nem trabalham. A situação do emprego é precária, enquando a propaganda mostra um país quase sem desemprego. Um desemprego de apenas 5,4%. Um fato pouco comentado na grande imprensa, mas de extrema gravidade, é que o numero de beneficiários do Bolsa-Família ULTRAPASSOU o número de pessoas com carteira assinada. Veja: CARTEIRA ASSINADA: 39,6 milhões BOLSA-FAMILIA: 48,6 milhões FUNCIONÁRIOS PUBLICOS: 12,9 milhões INFORMAIS: 38,8 milhões BENEFICIÁRIOS DO INSS: 34,2 milhões EMPREGADORES: 4,4 milhões

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

BALAÇO DO NÍVEL DE EMPREGO EM 2024

No ano de 2024 o IBGE apresentou resultados interessantes no nível de emprego. A desocupação atingiu 6,1%, no ultimo trimestre fechado em novembro. Apesar desse aparente bom resultado, é importante ressaltar alguns pontos que favorecem os números, mas que na prática apresenta algum viés, como a metodologia aplicada e o alto nível de informalidade. Das pessoas que estão trabalhando, aproximadamente 40% atuam na informalidade, sem nenhum tipo de segurança previdenciária ou contribuição, por exemplo. A PNAD Contínua, a metodologia utilizada pelo IBGE, considera como desempregados apenas as pessoas que estão procurando emprego no momento da pesquisa, deixando de fora aqueles que estão sobrevivendo de outras formas ou mesmo desistiram de procuram emprego por desalento. No ano de 2024 ainda, o IBGE alterou a metodologia, provocando a possibilidade de afetar a comparação dos dados com séries anteriores. Portanto, para uma análise do ano que passou, é necessário aprofundar o estudo e compreenção para uma boa interpretação e ter possibilidade de obter resultados mais realistas com a condição do Emprego. APROVEITAMOS PARA DESEJAR UM ÓTIMO 2025 A TODOS!

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

COMO ESTÁ O MERCADO DE TRABALHO EM 2024

O ano de 2024 começou com forte retirada líquida de valores pelos investimentos estrangeiros. Os investidores estrangeiros retiraram até maio deste ano R$ 1,63 bilhão da bolsa brasileira, tornando-se o quinto mês consecutivo no vermelho. No acumulado de 2024 até maio, as saídas líquidas somam R$ 34,63 bilhões. Isso demonstrava a falta de credibilidade no crescimento da economia brasileira, com o forte desequilíbrio fiscal e instabilidade jurídica. Todavia, no segundo semestre a economia começou a dar ares de retomada, fazendo crescer o nível de emprego. Mas algo preocupante acontece no país que é a falta de mão de obra. As ocupações que mais contratam estão em dificuldade de preencher as vagas. Grande parte desse problema é causado pelo baixo índice educacional de parte da população e quanto mais as atividades se especializam maior é essa dificuldade. Começa a surgir um “buraco” no âmbito da demanda de trabalhadores que necessitam de certas habilidades para profissões antes consideradas de menor qualificação, ou seja, trabalhadores com baixa qualificação ou escolaridade apresentam maior dificuldade para preencheram as vagas disponíveis, pois há uma necessidade de conhecimento de equipamentos digitais que antes um pequeno treinamento local bastava, por exemplo. Uma parte das pessoas que buscam o mercado de trabalho, pessoas mais jovens, já possuem essa habilidade por serem uma geração nascida na era digital, mas mesmo assim uma outra parte desse grupo continua de fora do mercado devido a falta de interesse em estudar e aprender. Por mais que as taxas de desemprego estejam favoráveis nesse momento, jamais se deve negligenciar e acompanhar a situação econômica. A economia é algo dinâmico e as oscilações são comuns, refletindo diretamente no mercado de trabalho. E como podemos observar, o peso da economia no mercado de trabalho é enorme, mas o preparo da mão de obra é fundamental.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

A GERAÇÃO Z E O MERCADO DE TRABALHO

A denominada Geração G é um grupo da população de indivíduos nascidos entre meados dos anos 1990 e 2010. É a geração nascida durante o surgimento da era digital e possuem algumas características desenvolvidas relacionadas a esse ambiente digital. São pessoas relacionadas a ter mais flexibilidade e autonomia em relação ao local e horário de trabalho, tendem a ter propósitos definidos e preocupados com questões sociais, diversidade e valorizam empresas que compartilham essas ideias. Comunicação rápida e ambiente de trabalho colaborativo são aspectos importantes. Embora sejam pessoas bastante integradas à modernidade e antenadas com a tecnologia, enfrentam grandes desafios no mercado de trabalho devido a essas suas características culturais principalmente. Criam altas expectativas que muitas vezes estão descoladas da realidade do mercado de trabalho, já que a ampla maioria das ocupações ainda é no modelo tradicional. São imediatistas já que desejam a gratificação instantânea. São ainda dependentes da tecnologia e isso pode afetar de modo preponderante a comunicação interpessoal, a dificuldade de se expressar verbalmente e pessoalmente, solucionar problemas sem o uso de ferramentas tecnológicas e desenvolver habilidades interpessoais. Outro desafio é vencer a frustração aos se depararem com contratempos e dificuldades do trabalho. Por estarem ainda constantemente expostos aos dispositivos eletrônicos e redes sociais podem sofrer com a falta de foco e terem dificuldade com a produtividade, principalmente se não houver limites claros entre a atividade profissional e vida pessoal. Por outro lado as empresas também tem um grande desafio em lidar com essa geração e principalmente preencher suas vagas de trabalho que muitas vezes, ou até na maioria das vezes, não estão relacionadas a essa cultura tecnológica.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

EMPREGO RECUA 26,3% EM 2023

Os índices econômicos de 2023 foram muito ruins. Foi anunciado um rombo gigantesco nas contas públicas que ultrapassaram os 230 bilhões de reais. Mesmo que esse número seja impactado pela obrigatoriedade do pagamento de precatórios, o resultado foi trágico, não obstante a essa obrigação. Ou seja, o rombo foi de quase 190 bilhões de reais sem o pagamento dos precatórios. O péssimo resultado no mercado de trabalho não foi diferente: um recuo na geração de empregos em 26,3%. É o pior resultado desde a implementação da nova metodologia que mede o desemprego. O Mercado financeiro não esperava esse resultado tão ruim, que ficou abaixo da pior média projetada. A desaceleração da economia tem reflexo direto no saldo de emprego. Os analistas estão prevendo que essa tendência de desaceleração se mantenha em 2024, alguns até apostam numa desaceleração mais lenta, mas que o nível de emprego continuará caindo é unânime.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

A EVOLUÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO PÓS PANDEMIA

Entre 2021 e 2023, o mercado de trabalho no Brasil passou por uma série de desafios e transformações significativas. Essa evolução foi influenciada por uma combinação de fatores econômicos, sociais e políticos que moldaram o ambiente de emprego no país. Em 2021, o Brasil enfrentava os desafios impostos pela pandemia da COVID-19, que havia impactado significativamente a economia e o mercado de trabalho. Muitas empresas tiveram que reduzir suas operações ou fechar suas portas temporariamente, levando a um aumento do desemprego. No entanto, com o avanço da vacinação e a melhoria das condições sanitárias, houve uma gradual recuperação econômica. Em 2022, à medida que a economia brasileira começou a se recuperar, o mercado de trabalho também mostrou sinais de melhora. A criação de empregos se intensificou em setores como tecnologia, e-commerce e saúde, refletindo a crescente importância dessas indústrias na economia brasileira. No entanto, a recuperação foi desigual, com alguns setores ainda enfrentando dificuldades. A partir de 2023, a economia brasileira continuou a se recuperar, e a taxa de desemprego começou a diminuir gradualmente. Políticas governamentais de estímulo ao emprego e investimentos em infraestrutura contribuíram para impulsionar a criação de empregos em setores como construção civil e energia renovável. Além disso, a retomada da atividade econômica global beneficiou as exportações brasileiras, o que teve um impacto positivo em alguns setores, como agronegócio e mineração. No entanto, desafios persistentes também afetaram o mercado de trabalho brasileiro durante esse período. A informalidade continuou a ser uma questão importante, com muitos trabalhadores atuando em empregos não regulamentados e precários. A falta de qualificação profissional também foi um desafio, com a necessidade de requalificação para atender às demandas de um mercado de trabalho em constante evolução. A automação e a inteligência artificial desempenharam um papel crescente no mercado de trabalho, tornando necessária uma adaptação constante das habilidades dos trabalhadores. Setores como a indústria 4.0 e a inteligência artificial criaram oportunidades, mas também representaram desafios para os trabalhadores que não estavam preparados para essas mudanças. Outro aspecto importante foi a questão da equidade de gênero e raça no mercado de trabalho. O Brasil continuou a lutar contra a disparidade salarial entre homens e mulheres, bem como o acesso desigual a oportunidades de emprego para diferentes grupos raciais e étnicos. A diversidade e inclusão se tornaram temas críticos nas discussões sobre o mercado de trabalho. Além disso, a reforma da previdência e outras mudanças na legislação trabalhista tiveram um impacto na dinâmica do mercado de trabalho, com ajustes nas regras de aposentadoria e contratação de pessoal.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

NÍVEL DE EMPREGO É POSITIVO E ESTÁVEL

Algo interessante acontece nesse nosso país. Foram divulgados no início deste mês de agosto os números do CAGED e mostraram que houve aumento no número de vagas de trabalho formais em todos os meses deste primeiro semestre, incluindo ainda um pequeno aumento na renda, não obstante à crise econômica que enfrentamos pós pandemia. Todavia, junto que essa boa notícia, o Brasil tem batido recordes de inflação dos últimos anos, principalmente nos combustíveis e alimentos. Assim, o pequeno aumento do salário médio está sendo corroído fortemente pela inflação. Já o mês de agosto apresenta uma deflação devido ao fato da queda dos preços da gasolina e álcool que pesam bastante no índice de inflação, mas ao contrário da gasolina, os alimentos continuam em alta. Enquanto o preço desses combustíveis alivia as finanças da classe média que consomem muito esse produto, as camadas mais pobres da população continuam a ter sua renda fortemente comprometida pelo preço dos alimentos. Do ponto de vista do mercado de trabalho, não se sabe ainda se essa tendência de postos de trabalho formais irá continuar nos próximos meses ou mesmo no próximo ano. Muitos economistas afirmam que o país pode enfrentar uma grande crise econômica no próximo ano, tanto pelo desaquecimento da economia global como pelas finanças internas que poderão se deteriorar em função do descontrole dos gastos públicos e pelo “pacote de bondades” feito recentemente e que terá a conta cobrada em 2023. Há ainda uma expectativa de que embora a crise venha forte no próximo ano, o Brasil enfrentará menos problemas que o “resto do mundo”, seja lá o que isso signifique em relação ao mercado de trabalho.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

TRABALHO E POLÍTICA SOCIAL

Vivemos em um país de muitas contradições. Somos um país rico, mas onde a pobreza não consegue ser abrandada ou mesmo levada a níveis “toleráveis”. A Economia é oscilante e sujeita às influências internas e externas, algumas controláveis e outras não e é o volume da Economia que afeta diretamente as condições de vida de muitos brasileiros, é a atividade econômica mais ou menos aquecida que determina em grande parte o nível de emprego e renda das famílias. Claro que estou falando aqui em termos pouco aprofundados, de forma que todos possam entender. Num momento positivo onde a economia está aquecida, boa parte dos problemas sociais, os provocados pela falta de oportunidades, estão equacionados por si só, ou seja, o momento permite que as famílias tenham renda, consigam sobreviver e progredir. Mesmo assim, uma camada da população estará desprotegida por uma série de motivos, pois está tão vulnerável que nem mesmo com a atividade econômica aquecida e a pleno vapor, conseguirá aproveitar essa oportunidade, esse momento. O trabalho e emprego é para a maioria da população a melhor política social que se possa oferecer. E políticas públicas de trabalho devem ser implantadas e executadas constantemente, seja provocando o encontro do trabalhador com seu empregador, capacitando, promovendo o auto-emprego (empreendedorismo), etc. Mas a grande dificuldade e o maior desafio é proporcionar a aqueles que estão em vulnerabilidade social chances de uma vida digna. Parte dessas pessoas poderão se recuperar com menos dificuldades, oferecendo apoio específico para que consiga sair da situação de vulnerabilidade. Outros estão em situação tão complexa que estão totalmente à margem da sociedade e não há solução simplista. Já adianto aqui que soluções milagrosas propostas por movimentos ideológicos não funcionam, ou não haveria miséria no mundo. Portanto, não queremos aqui entrar nessa seara. Toda solução para o problema, para o combate permanente à vulnerabilidade social, passa por situação econômica (onde o poder público pode ou não aumentar sua capacidade de investir em políticas sociais), políticas púbicas bem elaboradas e aplicadas, boas parcerias, entendimento da complexidade do problema e seu tamanho, debates multidisciplinares para busca de melhores caminhos, etc. O trabalho como política pública é um grande “amortecedor” para os problemas de vulnerabilidade social e pode diminuir o impacto dos problemas na sociedade, mas isso é apenas parte da solução.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

O FUTURO DO MERCADO DE TRABALHO – profissões morrem e outras nascem

Um tema bastante sensível e que deve ser debatido é o futuro do Mercado de Trabalho, seja pelas mudanças originadas em função da tecnologia e do mundo digital, seja pela mudança das relações de Trabalho. Ao mesmo tempo em que o avanço tecnológico ceifa postos de trabalho, esse mesmo movimento cria outros postos. Essa transição causa impactos imediatos a uma parte das pessoas, para o bem e para o mal. Aqueles profissionais que atuam em profissões “condenadas” poderão sofrer com a perda de seus postos de trabalho, e só uma atualização radical em suas habilidades dará a chance de se salvarem, se conseguirem mudar de profissão. Uma dessas mudanças já aconteceu anteriormente, quanto a automação começou a dominar a indústria. As fábricas evoluíram e aumentaram sua capacidade de produzir com máquinas e equipamentos modernos e computadorizados. Os operadores que não aprenderam a utilizar essas novas máquinas “computadorizadas” se tornaram tão obsoletos quanto às máquinas antigas que operavam. Noutra fase que também já começou há algum tempo, algumas profissões desapareceram ou desaparecerão em breve. Um pouco mais atrás, profissões como datilógrafo, telefonista, linotipista... algumas que você nem conheceu. Muitas outras estão acabando e num futuro breve não existirão mais. Muitas profissões que possam ser substituídas por “robôs” irão desaparecer. Por outro lado, já surgiram e ainda surgirão novas profissões e em um mercado ascendente. O mundo digital ainda é um bebê. Segundo o Relatório da Comissão Global do Futuro de Trabalho, publicado em 2017, estima que 65% das crianças de hoje irão trabalhar em profissões que sequer ainda existem. Uma outra categoria de profissão onde se corre risco de não conseguir manter a carreira, não propriamente pelo avanço tecnológico mas por outro motivo, são aquelas “profissões da moda”. Muita gente acaba escolhendo uma profissão e vai fazer aquela faculdade, pois acredita que aquela é a profissão do futuro. Essa gente pode ter razão, mas esquece de ponderar o tamanho do mercado. Vou dar um exemplo. A questão do meio ambiente hoje está em alta e é realmente relevante. E também é uma área bacana para se trabalhar. Embora seja uma área em crescimento, onde cada vez mais as empresas se preocupam com essa questão, formam-se a cada ano milhares de profissionais, muito mais gente do que o mercado pode absorver e um exércitos de profissionais ambientais não terão onde trabalhar. Outra situação que veremos num futuro é uma mudança radical nas relações do trabalho. A forma como nos relacionamos com nossos empregadores (e vice-versa) será totalmente diferente, contratos de trabalho se tornarão “on demand”, ou seja, por projeto. Alguns futuristas afirmam que muitas outras atividades também morrerão em breve, como cirurgião, piloto de avião, motorista, etc. Todavia, acredito que mesmo que a Inteligência Artificial invada essas áreas, que os algoritmos e softwares sejam ultra sofisticados, ainda teremos a presença do profissional humano por muito tempo. Mas nem tudo é desilusão. Novas profissões surgem a cada dia, seja diretamente com o desenvolvimento das tecnologias ou com as áreas surgidas em função dessa nova cultura tecnológica. Isso merece uma publicação a parte, só falando disso.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

A SOLICITAÇÃO DE FOTOS NO CURRICULO

Existe uma situação polêmica na questão de exigências no currículo. Uma delas é a exigência de foto em currículo.

Muitas empresas fazem essa solicitação sem que haja necessidade para aquela determinada função e isso leva a uma questão: qual a motivação do empregador fazer essa exigência? Sabemos que para algumas funções a solicitação de fotos é natural, como na área de moda, eventos, publicidade, etc. Mas é natural solicitar foto para uma função de administrador de empresas, por exemplo?

A lei, embora não especifique literalmente a exigência de foto no currículo, ela proíbe qualquer solicitação discriminatória e podemos interpretar que a exigência de fotografia para funções diversas, pode ser uma exigência discriminatória, portanto, ilegal. Alguns profissionais do Direito entendem que a prática é ilegal mesmo que não esteja literalmente especificada na lei.

Hoje em dia, ampla maioria das empresas não utiliza dessa prática e entendem como item discriminatório, mas algumas poucas ainda solicitam foto. Alguns selecionadores justificam que a foto no currículo ajuda a memorizar o candidato durante o processo seletivo.

Há um PL na Câmara dos Deputados que inclui essa exigência como discriminatória, assim como idade, sexo e tempo de experiência, já em vigor.

Portanto, os selecionadores e empregadores devem evitar a exigência de foto no currículo, salvo em atividades específicas já exemplificadas acima.

 

domingo, 30 de maio de 2021

RESPONDENDO PERGUNTAS (do canal O Mundo do Trabalho Blog desde 2007)


 

AS PERSPECTIVAS DO MERCADO “HOME OFFICE”


Como já sabemos, o Home Office (trabalho em casa), tomou um novo rumo devido à pandemia. Muitas empresas, para não parar a atividade, proporcionou que seus funcionários trabalhassem de casa, inclusive preparando suas estações de trabalho, como empresas de telemarketing, help desk, etc. Muitos outros profissionais também passaram ao trabalho remoto, tanto os que trabalham como empregados como profissionais liberais.

Comentei anteriormente que isso é uma tendência e que veio pra ficar, mas comentei também que isso não aconteceria em curto prazo, após a pandemia. Já que muitas empresas, apesar de “descobrirem” que essa atividade elimina muitos custos, o trabalho presencial ainda terá seu lugar nas atividades que podem ser transformadas em trabalho remoto.

Por outro lado, surge um importante movimento entre profissionais que estão num estágio profissional e financeiro mais elevados. Em busca de refúgio dos problemas da pandemia e qualidade de vida, muitos profissionais estão se mudando para cidades turísticas, já que muitos se mudaram para suas casas de veraneio, seja praia, montanha ou área rural. O que era temporário começa a se tornar definitivo.

A grande preocupação dessas pessoas que buscavam refúgio era a qualidade dos meios de comunicação e Internet, já que isso é fundamental para que possam realizar seu trabalho remotamente.

Isso foi percebido por algumas cidades e também por algumas operadoras de telecomunicação. A Cidade de Ilhabela/SP entendeu bem esse movimento e faz campanha aberta para que os profissionais e empresas que podem fazer trabalho remoto se instalem na cidade. A VIVO também atenta a esse movimento já instalou um cabo submarino que possibilitará a Internet em alto desempenho. O Mercado imobiliário se aqueceu sobremaneira em Campos do Jordão, com a vinda dessas pessoas. Inicialmente aqueles que possuíam casas de veraneio passaram a viver na cidade e outros se instalaram em pousadas. Porém esse movimento já proporcionou um aumento nas vendas de imóveis na cidade, principalmente apartamentos, elevando de maneira substancial o valor dos imóveis.

Outras cidades do interior também abraçam esses profissionais. Para os municípios que atraem essas pessoas, os ganhos serão consideráveis, pois além da economia em movimento pelo turismo, mesmo que em patamares menores que antes da pandemia, haverá aquecimento para o mercado “local” não turístico, e consequentemente mais empregos.

Atenção nisso, senhores prefeitos

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Muita gente pergunta com certa indignação, o por que mesmo entregando dezenas de currículos, nunca é chamado para uma entrevista. Há duas razões principais para isso e ambas tem relação com o currículo da pessoa. Uma pode ser a qualidade do currículo, como ele está "montado" ou "direcionado" e a outra é a distribuição ineficaz. Veja o nosso video abaixo com as dicas para como diminuir esses problemas. 

Se preferir veja o link do episódio 11 diretamente no YouTube.

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domingo, 27 de setembro de 2020

EP 09 - MOTIVAÇÃO: Vem de dentro ou de fora de nós?

             Qual a necessidade de estar sempre auto motivado e como se manter assim mesmo com os desafios do dia a dia. Estabelecer objetivos de vida e o real desejo de realizá-los é o que nos motiva para dar cada passo necessário. Serve para a vida pessoal e é de grande importância para a vida profissional.

 

sábado, 5 de setembro de 2020

As habilidades sociais no ambiente de trabalho ( Soft Skills e H...



Saiu o novo video do canal O MUNDO DO TRABALHO.
Nesse video falamos da importância das habilidades sociais e inteligência emocional nas relações no ambiente de trabalho.
Muitas empresas, tanto na contratação como nas avaliações após contratação, valorizam muito as habilidades sociais e isso pode ser fator decisivo desde o processo seletivo e na e permanência do profissional.